A imanente obra de Willian

A imanente obra de Willian

Cheguei quase quatro horas da tarde na abertura da exposição, horário marcado para abrir o ateliê ao público, no andar acima. Naquele momento algumas pessoas entraram pela porta do Escritório de Arte Finnacena e se deparam com pinturas em tamanhos diversos nas paredes. A ante-sala do escritório sem nenhum móvel, feita galeria. O pintor Willian Santos, no meio da sala, me recebeu e se precipitou para abrir o ateliê, no andar acima.

No escritório da Finnacena ficou a exposição “Imanência”, enquanto o público subiu ao ateliê com a proposta de ter uma visão mais íntima da produção de Willian. Depois do lance de escadas todos entram pela porta e no espaço de trabalho, entre potes de tinta, pincéis e quadros, o silêncio. As telas em formato maior causam impacto aos olhos, ainda que inacabadas. As pessoas fazem comentários em voz mansa, admirados.

Exposição "Imanência", em cartaz no Escritório de Arte FinnaCena.

Ana Rocha e Igor Dantas abriram o Escritório de Arte FinnaCena para ajudar artistas visuais em que vejam um futuro promissor, com intenção de profissionalizar as artes visuais em Curitiba. Transformar o escritório da empresa em uma pequena galeria foi a primeira iniciativa, sendo que “Imanência” é a segunda exposição no espaço. Agora, Ana como curadora da exposição e namorada de Willian, explicou que abrir o ateliê foi um segundo passo. Como as telas maiores não caberiam na sala da FinnaCena, resolveram resgatar um formato expositivo que é prática comum em Nova Iorque.

“Fomos para lá ano passado e visitamos vários prédios que tem a estrutura do Tijucas, (local onde está o ateliê de Willian e o escritório da FinnaCena), mas a diferença é que as salas comerciais são só de artistas, só ateliês. Você pode ir batendo de porta em porta. Tem vários tamanhos de estúdio, alguns enormes que trabalham 6 ou 7 pessoas. É uma maneira do artistas mostrar o trabalho em processo e prontos, sem estar em uma galeria ou em um museu, sem estar em alguma instituição. É mais uma possibilidade que a gente propôs para o William, para poder mostrar os trabalhos de grande formato e que isso deve inspirar outros artistas a abrir o espaço e mostrar o trabalho.”

Mania de pintar

“Normalmente eu vejo bastante, mas tem dias que passa dos limites. Eu fico horas vendo o  trabalho. Pensando mil coisas, em várias possibilidades”.

A fala acima é do responsável pelas pinturas da exposição “Imanência”, Willian Santos. O pintor não é de muitas palavras, principalmente se o assunto forem suas telas. Prefere pintar. Todos os dias à tarde, depois do trabalho que tem em paralelo, para pagar os custos de suas obras, começa sua segunda jornada com as telas. “Já vendi dois trabalhos. Mas as pessoas tem que comprar para eu poder produzir mais. Se eu pudesse, ficava aqui quinze horas por dia. Eu fico em média três ou quatro horas por dia. Fico até cansar demais. Quando eu paro e fico olhando os trabalhos e não faço nada, vejo que é hora de ir embora.”

O resultado da dedicação é facilmente notado por aqueles que acompanham sua carreira. Igor Dantas e Ana Rocha, sócios na FinnaCena e responsáveis por esta primeira individual de Willian, afirmam que não somente nesta abertura, mas em todos os momentos que o artista expôs seus trabalhos ouviram elogios de pessoas envolvidas com as artes visuais na cidade. Artistas, professores e profissionais de galerias da cidade comentam e se empolgam com Willian.

Ao fundo, William Santos junto com o artista Geraldo Leão e o galerista Marco Mello.

Ana acompanha Willian desde as primeiras pinceladas e afirma que “o trabalho dele é bem interessante ter acompanhado todo o processo, porque evoluiu muito. Desde ter essa origem, uma mistura e referência ao graffiti, mas acho que por pintar em formato grande, algo como um mural, uma tela grande, e que hoje se desdobra em questões próprias da pintura mesmo. Relação da imagem com a pesquisa que ele faz, com elementos da arquitetura que ele traz, do design, que ele desconfigura, descontextualiza e coloca nas telas.”,

Hoje, depois de alguns anos de trabalho e muitas pinceladas, quem chega ao ateliê de Willian não pode esperar muitas palavras, mas sim ficar absorto nas imagens do pintor. Perdura o momento imanente, daquilo que sempre está presente na essência de qualquer atividade artística, o momento de contemplar. Nem mesmo Willian sabe explicar o que é. Talvez por isso passar tanto tempo absorto com o olhar nas telas.

“A pintura tem uma busca eterna por algo que eu ainda não sei muito bem o que é. [...] Começou na faculdade, em 2007. Eu comecei as aulas de pintura com a Carla Vendrami. E desde o primeiro dia de aula foi meio assim, uma coisa que eu falo até hoje, inefável. Não sei o que é. Eu sei que naquele momento alguma coisa aconteceu e desde então eu tenho me dedicado à pintura.”

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